terça-feira, 21 de agosto de 2007

Trecho - Texto: OBSERVATORIO JOVEM
Participação e organizações juvenis
2 - A juventude nas sociedades latino-americanas
A juventude é uma etapa de transição em que os indivíduos iniciam e processam sua inserção nas diversas dimensões sociais ativas características da fase adulta (principalmente a família própria, o trabalho e a cidadania), vivendo ainda processos de preparação ao mesmo tempo que já exercendo muitas atividades de imersão social (estudo, trabalho, sexualidade, responsabilidades familiares, deveres e direitos cívicos e políticos), embora essas sejam marcadas sempre pela relatividade e ambigüidade: com responsabilidades, autonomia e independência sempre maiores que as da infância e ainda não tão completas como as dos adultos.O grau dessa relatividade, é claro, varia muito com a condição social (e de gênero, etnia, condição de urbanidade, etc) de cada jovem, como mostram, contundentemente, Margulis e outros, na trilha aberta por Bourdieu. De todo modo, a juventude por ser caracterizada, genericamente, como um período de interregno, em que assumem crucial importância a construção de identidades e a definição de projetos de futuro, que se tramam articuladamente tanto aos processos de socialização por que passaram até então como aos modos pelos quais se realiza sua integração na vida social.O paradoxo maior que vive a juventude latino-americana desse final de século, segundo. Hoppenhayn, é a coexistência de dimensões de integração, pelo consumo simbólico (no sentido de conexão e intimidade com as fontes massivas de informação e comunicação) e de desintegração, no sentido da falta de acesso ao progresso material e à participação nesse progresso e que se traduz na dificuldade de acesso ao trabalho produtivo, ao poder de decisão política, aos benefícios econômicos do desenvolvimento e na contingência de conviver com altos graus de violência, com discriminações sociais de vários tipos e com a perda de horizontes de largo prazo para suas.As desigualdades e a fragmentação social se refletem na existência de uma grande heterogeneidade de condições juvenis (em termos sócio-econômicos, geográficos, culturais, étnicos, de orientação religiosa e filosófica etc) o que, por um lado, significa a existência de abismos sociais entre diferentes setores de jovens, e uma miríade de formas de experimentação e expressão da condição juvenil. Por outro lado, contudo, pode também ser constatada a existência de certas dimensões comuns, principalmente em relação a determinadas sensibiiidades e disposições simbólicas, e que se relacionam com a vivência de certas experiências históricas que conformam os jovens deste período como uma geração(Margulis, e outros; para uma fundamentação teórica do conceito de geração, ver Mannheim).Os jovens dos setores de baixa renda são os mais afetados pelas situações de exclusão montadas pelo paradoxo entre a integração e desintegração. Enfrentam problemas de várias ordens de inserção social, que afetam sua transição à idade madura. De modo geral, produz-se uma distância imensa entre as expectativas educacionais e ocupacionais dos jovens e os logros alcançados tanto numa dimensão como na outra (a o que se adiciona a tendência à crescente a dificuldade de incorporar-se ao mercado laboral de acordo com seus níveis educativos).Esse desajuste se traduz também no processo pelo qual tais jovens têm cada vez maior acesso à informação e ao estímulo em relação a novos e variados bens e serviços (que se configuram como símbolos de mobilidade social), mas aos quais não logram ter acesso real.
Em resumo, pode-se dizer que, frente a essas condições, a juventude dos setores populares sofre uma crise de perspectivas, uma vez que interioriza as promessas e aspirações promovidas pelos meios de comunicação de massas, pela escola e pelo sistema político, mas não acede à mobilidade e ao consumo contidos nessas promessas.É nítida também para os jovens a percepção do grau de exclusão reinante na sociedade, e a possibilidade de "ficar de fora" acaba aparecendo como uma incógnita mais ou menos incontrolável, e como um destino possível ou provável para muitos deles, principalmente para os dos setores mais desfavorecidos; mas também como um fantasma que ronda os jovens de classe média (Touraine, Kozel).Tal quadro conforma uma ampla gama de situações de marginalização para amplos contingentes dos setores juvenis, caracterizada pela incorporação prematura ao mercado de trabalho informal e/ou desocupação prolongada, falta de proteção à saúde, conflitos de tipo legal ou penal que conduzem a experiências de detenção e reclusão, repetência reiterada durante a permanência escolar ou deserção prematura do sistema. Situação que, evidentemente, produz enormes danos ao desenvolvimento dos jovens, porque os priva de adequadas oportunidades sociais, e pode os levar a condutas de risco, assim com bloquear ou dificultar a eles o caminho para interessar-se pela política e referendar a democracia como sistema político, quando a essas dificuldades associa-se uma sensação de falta de clareza das "regras do jogo social" e de injustiça frente aos sistemas de esforço, méritos e benefícios em vigor na sociedade (Touraine, Ballesteros, Hoppenhayn entre outros).Como aponta Ballesteros, a contradição entre a pobreza e o impacto cultural da opulência propagandizada pelo mercado pode gerar tal mal-estar e frustração, que pode levar a um desapego existencial da legalidade e das regras da democracia; em conseqüência, à violência social e política.
3 - Relação entre desenvolvimento integral e inserção social e participação
Nesse sentido, a primeira dimensão da preocupação com a participação dos jovens é referida à possibilidade do seu desenvolvimento integral e sua inserção social. Touraine é quem desenvolve mais contundentemente esse vínculo, a partir da pergunta: "Como fazer da participação social um objetivo em uma sociedade em que tantos jovens se encontram excluídos e marginalizados? Como falar de integração quando o que impera é o dualismo e a exclusão?"
As noções de participação social e desenvolvimento integral estão interligadas e o momento crucial para isso é a etapa da juventude. O indivíduo só pode se desenvolver integralmente se se constrói como sujeito, e só pode assumir plenamente sua condição de sujeito e ator social se alcança um desenvolvimento pessoal e integral. A juventude é a fase em que se estrutura o desenvolvimento do indivíduo como sujeito social e esse processo será inteiramente marcado pelo modo como se dá seu desenvolvimento pessoal.
Touraine, preocupado com as condições de participação dos jovens marginalizados, pergunta-se como se pode garantir o fortalecimento da constituição dos jovens como sujeitos para que possam assumir-se como atores sociais; aponta que para esse desenvolvimento se completar é fundamental que o jovem possa processar a integração de sua experiência de vida e a sua vinculação com projetos pessoais referidos ao meio social: "incrementar nos jovens a capacidade de comportar-se como atores sociais, isto é, de modificar seu entorno social para realizar projetos pessoais".
Isso passa pelo fortalecimento do indivíduo, isto é, pela chance de uma socialização satisfatória (pela educação, pela construção da auto-estima, pela possibilidade de espelhar-se em papéis na vida adulta futura, etc.), assim como pelo fortalecimento da capacidade de ser ator de sua própria vida: de escolher, julgar, ter projetos e sustentar relações sociais com outros (sejam relações de cooperação, consenso ou conflitos).
O objetivo é "fortalecer a capacidade de ação dos jovens, contribuir para seu desenvolvimento pessoal integrado, intensificar a integração de sua experiência e a vinculação desta a projetos".Durston também se preocupa com essa questão e aponta, ao discutir as limitações da participação juvenil, duas formas pelas quais os jovens mais desfavorecidos socialmente têm, ao mesmo tempo, sua inserção social ameaçada e a participação bloqueada.
A primeira ele nomeia "cidadania denegada", que afeta os setores mais excluídos (etnias dominadas, setores rurais pobres, marginalizados urbanos): "a esses setores se nega a possibilidade prática de exercer a cidadania, pela discriminação racial, pela ausência de espaços de participação dentro de seu habitat e também pela falta de acesso ao conhecimento necessário para a cidadania (destrezas de análise e linguagem)". A segunda é nomeada "cidadania da segunda classe", que se aplica a setores (entre os quais estão os jovens com baixa escolaridade e as mulheres jovens) aos quais a cidadania não é negada explicitamente, mas que encontram tamanhas barreiras que dificultam concretamente seu exercício. Frente a essas situações, os jovens têm de superar a auto-negação gerada pelo desprezo da cultura dominante em relação às suas identidades, assumindo uma auto-imagem positiva, e capacitar-se nos códigos e destrezas necessários ao exercício da participação.Faz parte do desenvolvimento integral do jovem, portanto, o desenvolvimento de sua consciência de cidadania e a possibilidade de exerce-Ia: por processos educativos e integradores, mas também por práticas que lhe permitam perceber que podem influenciar as decisões que afetam sua vida.
(http://fundar-rojovem.org/moodle/mod/resource/view.php?=5605

Bem-Vindos ao Projovem

PROJOVEM




O Projovem é um programa do Governo Federal criado no ano de 2005, e implantado no mesmo ano, que se destina à inclusão de jovens entre 18 e 24 anos, que não concluíram o Ensino Fundamental II, dando oportunidade de recuperar o tempo supostamente perdido.
A eles são oferecidas oportunidades de elevação de escolaridade; qualificação profissional e ações comunitárias, visando a melhoria da comunidade local.
Em suma, trata-se de uma forma de minimizar a desigualdade social existente no âmbito nacional.



Natal, 21 de agosto de 2007.


FRANCISCO DE ASSIS HENRIQUE
JOHN HERBERT DE SOUSA SILVA
LANA BANDEIRA